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  • em resposta a: DÚVIDAS #6074
    luciana.queiroga
    Participante

    Olá, Letícia. Tudo bem com vc?

    O caso clínico número 5 se trata de uma cadela com provável piometra.

    No exame de hemogaso venoso realizado, ela apresenta um valor de CO2 de 22 mmHg, um valor de bicarbonato de 5,4 mEq/L e pH de 7,2 configurando um quadro de acidose metabólica, pois o pH está abaixo do fisiológico (7,35 a 7,45) e bicarbonato esperado seria de 23 mEq/L.

    Para determinar se a resposta compensatória está adequada, é necessário avaliar se o valor de CO2 está dentro do esperado.

    Nesse caso, espera-se que haja uma redução de 0,7 mmHg de CO2 para cada 1 mEq/L de bicarbonato perdido.

    Para realizarmos o cálculo, utilizamos os valores de referência venosos (40 mmHg de CO2 e 23 mEq/L de bicarbonato) já que a amostra foi venosa.

    Sendo assim, observa-se que ela perdeu 17,6 mEq/L de bicarbonato (23 – 5,4). Como o esperado é que haja um diminuição de 0,7 mmHg de CO2 para cada mEq/l de bicarbonato perdido, espera-se que ela tenha uma redução de 12,32 mmHg de CO2 (17,6 X 0,7).

    Uma vez que o valor de referência para o CO2 venoso é 40 mmHg e espera-se que ela tenha perdido 12,32, o valor esperado de CO2 para uma resposta compensatória adequada será de 27,68 mmHg (40 – 12,32).

    Aqui, você irá comparar o valor esperado (que você calculou) com o que você encontrou na amostra.

    Como o valor obtido no exame foi menor do que o esperado (22 mmHg), isso indica que essa paciente está eliminando mais CO2 do que deveria pelo quadro de acidose metabólica. Ou seja, está fazendo um quadro de alcalose respiratória associada.

    Geralmente utilizamos o valor de 40 mmHg de CO2 como padrão, embora possa haver uma variação fisiológica desses valores.

    Caso tivéssemos utilizado um valor de 38 como referência de CO2, esperaríamos um CO2 de 25,68. Nesse caso, a resposta ainda seria inadequada, pois o CO2 obtido na amostra (22 mmHg) ainda sim seria inferior ao esperado.

    Espero ter esclarecido a sua dúvida.

    Caso não tenha ficado claro para você, é só me contatar por aqui novamente.

    Um grande abraço

    Luciana

    em resposta a: Respiração no suporte básico a vida #4660
    luciana.queiroga
    Participante

    Bom dia, Renata:

    Que maravilha que você curtiu o curso e está buscando se aperfeiçoar cada vez mais.

    As diretrizes do RECOVER 2012 não falam nada sobre a manutenção de máscara de oxigênio durante o suporte básico.

    Você deve lembrar que durante um quadro de PCR o paciente não apresenta movimentos respiratórios expontâneos e, dessa forma, a colocação de máscara de oxigênio sem um processo ativo de ventilação não será eficiente em entregar oxigênio aos pulmões do paciente.

    Além disso, a colocação e fixação da máscara pode acabar atrasando a realização das manobras comprovadamente eficazes de compressões torácicas e ventilação com pressão positiva. De forma que eu acho não muito recomendável a colocação da máscara facial nesse momento.

    Em relação à intubação orotraqueal, ela sempre será indicada em casos de PCR, pois é a forma mais efetiva de entregar oxigênio aos pulmões através da ventilação com pressão positiva, seja por ambú ou por sistema anestésico.

    A única situação em que vc não irá executá-la é se vc estiver realizando as manobras de reanimação sozinha. Nesse caso, a sua prioridade passa a ser as compressões torácicas e você pode fazer duas ventilações boca focinho a cada 30 compressões.

    Espero ter sanado as suas dúvidas.

    Caso alguma dúvida ainda persista ou se você quiser discutir mais esse assunto, fico à disposição.

    Também recomendo que você participe das turmas de certificação da RECOVER Iniciative no Brasil.

    Esse ano ocorrerão módulos em Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba.

    Abraços

    em resposta a: Analgesia Pós-RCP #4581
    luciana.queiroga
    Participante

    Bom dia, Rafael:

    Que maravilha que você curtiu o curso. Parabéns pela iniciativa em se qualificar cada vez mais.

    Em relação à sua dúvida, existem vários cuidados pós RCP indicados pelas diretrizes do RECOVER que vc pode encontrar no próprio artigo disponibilizado no material suplementar.

    Essa diretrizes falam sobre níveis de gases sanguíneos, valores de hematócrito, glicemia, temperatura corporal e antibioticoterapia, entre outros, mas realmente não existe uma recomendação específica em relação à analgesia.

    Isso claro não quer dizer que o controle da dor deve ser negligenciado. Muito pelo contrário. A liberação de cortisol decorrente do processo nociceptivo acaba por dificultar o controle glicêmico, de pressão arterial e também pode prejudicar o sistema imune de um paciente por vezes extremamente debilitado.

    Sendo assim, a recomendação é que o controle da dor seja individualizada para cada paciente levando em conta o quadro geral que levou o paciente a experimentar um PCR e também as comorbidades enfrentadas por ele, as quais podem contra-indicar o uso de algum fármaco específico.

    Via de regra, à excessão dos anti-inflamatórios esteróides, não existem contra-indicações absolutas para o uso de nenhum analgésico.

    Idealmente, você deve avaliar o paciente através de escalas de dor validadas (Glasgow, Grimace, etc) e avaliar a necessidade de analgesia do paciente ao longo da evolução dele.

    Lembrando que o ideal é sempre um protocolo balanceado, ok?

    Grande abraço

    em resposta a: Influência da temperatura na interpretação da hemogasometria #4554
    luciana.queiroga
    Participante

    Bom dia, Rafael:

    Excelentes questionamentos.

    Em relação às situações em que os ajustes de temperatura devem ser realizados para a interpretação dos valores de pH e gases sanguíneos, acredito que não exista uma espécie de ponto de corte de temperatura definido pela literatura disponível.

    Na verdade, os equipamentos aquecem as amostras até 37 graus e o resultado deve sempre ser corrigido para a temperatura do paciente no momento da coleta.

    Em situações clínicas cotidianas, diferenças de temperatura inferiores a 2 graus tem pouca relevância. Para o caso de pesquisa, já é outra história e você deve sempre realizar a correção.

    Em relação aos equipamentos, alguns como o I-Stat são validados para cães. Mas independente disso, se a variação de temperatura for superior a 2 graus, você deve corrigir os valores.

    Espero ter esclarecido as suas dúvidas.

    Abraço

    em resposta a: DÚVIDAS #4519
    luciana.queiroga
    Participante

    Boa tarde, Isabel:

    Fico feliz que você tenha realizado o curso de hemogasometria. Espero que ele tenha sido proveitoso para você e que eu possa te auxiliar a entender melhor esses detalhes que não ficaram claros para você.

    Em relação a utilizar os parâmetros de referência para sangue venoso ou arterial, essa escolha dependerá do local de colheita da amostra.

    Sempre deve-se indicar se o sangue enviado para o exame é venoso ou arterial e interpretar o exame utilizando-se os valores de referência específicos para amostras venosas ou arteriais.

    No caso dos exemplos utilizados nessa aula, optei por usar os parâmetros para amostras venosas porque é muito mais comum que seja colhido sangue venoso para a maioria dos pacientes em função de facilidade de coleta.

    Em relação ao caso clínico número dois, pela abordagem tradicional, levando-se em consideração os valores de bicarbonato, pH e CO2, o paciente apresenta um quadro de alcalose respiratória. Mas, mesmo ao avaliar o BE, esse diagnóstico é mantido, pois o intervalo normal fica entre 0 e -4 para cães. Caso esse valor fosse mais baixo do que a referência, esse paciente poderia estar apresentando um quadro de acidose metabólica concomitante. Uma situação não impede a outra. Inclusive, é relativamente comum pacientes com distúrbios mistos.

    Em relação a sua terceira dúvida, o ânion Gap é utilizado para avaliar se a acidose metabólica é normo ou hiperclorêmica. Pacientes que apresentem ânion Gap normal, cursam com quadros de hipercloremia, indicando que há perda real de bicarbonato ou ganho de cloreto. Esse parâmetroa uxilia o clínico a guiar a terapêutica para o quadro de acidose. Animais que apresentem acidose hiperclorêmica e pH inferior à 7,2 podem se beneficiar de reposição de bicarbonato. Claro que a terapêutica deve ser sempre avaliada juntamente com o quadro clínico do paciente, não sendo o uso de bicarbonato determinado apenas pelo quadro de hipercloremia.

    Espero ter esclarecido as suas dúvidas.

    Abraço

    em resposta a: Como Interpretar um Exame de Hemogasometria #4315
    luciana.queiroga
    Participante

    Olá, Franco:

    Você pode utilizar a tabela de respostas esperadas para os distúrbios respiratórios e/ou metabólicos para amostras de sangue arterial ou venoso.

    Lembrando que amostras de sangue venoso servem melhor para avaliação de distúrbios metabólicos e eletrolíticos. Já distúrbios respiratórios devem ser avaliados preferencialmente através de amostras de sangue arterial.

    É importante que você fique atento para usar os valores de referência arteriais para amostras arteriais e valores de referência venosos para sangue venoso na hora de fazer os cálculos.

    Caso tenham restado dúvidas, estou á disposição.

    Grande abraço
    Dra. Luciana Queiroga

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